O acidente vascular cerebral está cada vez mais frequente entre jovens. Um dos casos mais recentes envolveu a estudante Grazielli Brito, 24 anos, alertando que, apesar da crença popular de ser uma doença ligada aos idosos, a condição não vê idade e requer cautela.
O AVC, também chamado de derrame, acontece quando o fluxo sanguíneo para o cérebro é interrompido (isquêmico) ou quando o vaso de rompe (hemorrágico). Segundo o cirurgião vascular, membro titular da Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular (SBACV), Josualdo Euzébio Silva, as duas situações levam a morte do tecido cerebral pela ausência de oxigênio e nutrientes, podendo ser fatal ou levar a sequelas irreversíveis.
A patologia apresenta uma série de sinais quando está prestes a ocorrer, como fraqueza de um lado do corpo, tontura, boca torta, fala arrastada, desequilíbrio, dor de cabeça considerada intensa e a dificuldade para compreender o que a pessoa diz.
A percepção indica a necessidade urgente de procurar atendimento de emergência, como aconteceu com a jovem. Ela observou a perda do movimento da mão e a extensão para a perna, deixando-a incapaz no chão por 10 minutos. No hospital, os médicos afirmaram ser esclerose múltipla ou ansiedade, várias visitas foram necessárias após novas ocorrências que levaram ao diagnóstico correto.
O problema entre jovens é que, muitas vezes, os sintomas podem ser confundidos com um cansaço, parte da rotina. Grazielli possui um dia a dia agitado, que se inicia de madrugada e acaba à meia-noite, para aguentar a jornada, muito café, energético e cápsulas de cafeína, às vezes, combinadas.
Josualdo explica que o tempo de resposta aos sinais é essencial para prevenir sequelas graves, por esse motivo, existe uma frase popular na medicina “tempo é cérebro” já que durante um derrame, mais de dois milhões de neurônios são perdidos por minuto. A estimativa é que até metade dos atingidos faleça, enquanto metade dos sobreviventes sofram com sequelas, por isso, é tão importante agir rapidamente.
Para se ter uma ideia, os profissionais trabalham com o termo “Janela de Ouro” um período de até 4h30, após o início dos sintomas, para tratar o AVC isquêmico com medicações anticoagulantes, reduzindo o risco de sequelas. Grazielli percebe que o movimento de sua mão, assim como a fala, estão diferentes agora.
Vale explicar que uma série de fatores de risco contribuem para o surgimento do problema em jovens, como a genética, idade avançada, sedentarismo, obesidade, diabetes, hipertensão, consumo excessivo de álcool, cigarro - outros tipos de drogas - estresse, trombose e a aterosclerose.
As pessoas com casos familiares devem estar ainda mais atentas ao problema, preferencialmente, realizando visitas anuais a um cirurgião vascular, para avaliação. No processo, exames como o de sangue e imagem são indicados, e se necessário, medicamentos serão recomendados para prevenir a evolução de fatores de risco. “A cirurgia é uma opção apenas quando o tratamento medicamentoso não é eficiente”, afirma o especialista.
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