Encontro destacou estratégias que priorizam qualidade de vida, autonomia e acolhimento de pacientes com doenças graves

Mais do que atender necessidades nutricionais, a alimentação pode representar acolhimento, dignidade e conforto em fases delicadas da trajetória clínica. Com esse olhar, o Hospital Regional de Santa Maria (HRSM), unidade administrada pelo Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (IgesDF), promoveu, nesta quinta-feira (30), capacitação com o tema “Desafios da Nutrição em Cuidados Paliativos”.

Realizado no auditório da unidade, o encontro reuniu nutricionistas, técnicos da área e estudantes para debater abordagens atualizadas sobre o manejo alimentar de pessoas em cuidados paliativos. A proposta foi reforçar a importância de um cuidado humanizado, individualizado e alinhado às necessidades de cada paciente.

Organizadora da atividade, a nutricionista do HRSM Denubia Rodrigues Loiola da Silva explicou que a iniciativa surgiu a partir do aumento da demanda assistencial nesse perfil de atendimento.

“O objetivo é atualizar a equipe em relação ao tema, porque hoje temos uma demanda crescente de pacientes em cuidados paliativos. Precisamos ampliar esse conhecimento para oferecer uma assistência cada vez mais qualificada”, destaca.


A capacitação foi conduzida pela nutricionista Camila da Graça Costa, profissional do IgesDF e especialista em Saúde do Adulto e do Idoso e em Atenção Oncológica pela Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF).

“Falar sobre nutrição em cuidados paliativos é entender que alimentar vai muito além de oferecer nutrientes. Envolve acolhimento, respeito à individualidade e compreensão sobre o momento que o paciente está vivendo”, afirma.

Alimentação como estratégia de cuidado
Durante a apresentação, Camila explicou que a conduta nutricional varia conforme a evolução clínica, com objetivos que podem ir desde a reabilitação e o controle de sintomas até a priorização exclusiva do conforto, nos estágios mais avançados da doença.

Nesse contexto, foi destacado o conceito de comfort food,  a alimentação de conforto, que prioriza alimentos de preferência do paciente, com adaptações de consistência quando necessário, sem abrir mão do prazer e da autonomia no ato de se alimentar.

“Nem sempre a melhor conduta é insistir em metas nutricionais tradicionais. Em muitos casos, oferecer aquilo que traz prazer e memória afetiva é a forma mais adequada de cuidado”, explica.

Outro ponto abordado foi a importância da tomada de decisão compartilhada entre equipe multiprofissional, familiares e o próprio paciente, especialmente em situações de redução progressiva da ingestão alimentar.

“Cada decisão deve considerar evidências científicas, avaliação clínica e, sobretudo, o respeito aos desejos e à dignidade da pessoa assistida”, ressalta.


A capacitação foi promovida pelo Serviço de Nutrição e Dietética do HRSM (Senut), com apoio do Núcleo de Educação Permanente (Nudep) e da Gerência de Gestão do Conhecimento (GGCON). A transmissão completa está disponível no canal oficial do IgesDF no YouTube.

CRÉDITOS:
Matéria: Talita Motta
Fotos: Divulgação/IgesDF