Na correria dos dias úteis, a sensibilidade de uma pausa: como a presença de alguém especial altera o nosso compasso e reconecta o cotidiano com o afeto.





Da Redação

Há semanas que correm contra o relógio e outras que teimam em congelar no tempo. No ritmo frenético das cidades, onde os compromissos e os prazos parecem ditar cada segundo, o verdadeiro luxo tem sido a capacidade de desacelerar. E, quase sempre, o motivo desse compasso mais lento tem nome, sobrenome e um sorriso que insiste em bagunçar a nossa mente.

Na crônica poética desta semana, mergulhamos na doce melancolia dos dias úteis e na urgência bonita de quem conta os minutos para o próximo reencontro. Um respiro necessário para a alma no meio do caos cotidiano.

Acompanhe os versos:

O Final de Semana

Meus dias costumavam ter um ritmo calmo,
uma sequência miúda de horas e costumes,
mas a tua presença chegou em silêncio
e desfez o compasso de tudo o que eu conhecia.
Agora, a pressa do mundo lá fora perde o sentido,
porque meus pensamentos insistem em desenhar o teu rosto
no meio de uma semana que parece esquecer de passar.

Há um encanto secreto em te esperar,
uma doce melancolia que transforma a distância em poesia.
Estendo as mãos para os dias úteis,
procurando o rastro daquela conversa madruga adentro,
onde o tempo era nosso e o resto não importava.

Se eu não estivesse tão distraída com esses seus olhos,
se eles não estivessem atormentando meu sono,
se eu não pensasse tanto no gosto do beijo que não te dei,
se meu coração não sentisse, com tanto anseio, essa vontade de te encontrar de novo,
se esse sorriso junto a essa gargalhada não me arrepiasse o corpo todo...

Talvez, só talvez, o tempo fosse mais generoso em passar rápido,
só para que eu possa ter o prazer de te ver de novo.

Mas enquanto ele não chega,
guardo o calor da tua risada no peito.

Deixei que a rotina se perdesse na tua suavidade,
e conto os minutos com a certeza bonita
de que algumas esperas valem cada segundo,
só pelo milagre de mergulhar em você outra vez.

Por @A.F