Veja a diferença entre alimentos light e para obesos
São Paulo, novembro de 2026 – A obesidade não é um problema exclusivo dos humanos e também merece atenção quando o assunto é a saúde dos pets. Considerada uma doença crônica, ela afeta cães e gatos e pode comprometer a saúde e a qualidade de vida dos animais. Assim como acontece com as pessoas, o excesso de peso está associado a fatores como alimentação, nível de atividade física, rotina e hábitos da família.
Um estudo realizado por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) e de outras instituições, publicado em 2020 na revista científica PLOS ONE, avaliou 926 cães de São Paulo. A pesquisa identificou sobrepeso em 34% dos animais e obesidade em 14%, ou seja, 48% estavam acima do peso. O estudo também mostrou que o problema pode passar despercebido: entre os cães classificados como obesos pelos médicos-veterinários, 68% tiveram sua condição corporal subestimada pelos responsáveis.
Para a médica-veterinária Mayara Andrade, de Guabi Natural, da MBRF Pet, a percepção sobre o peso do animal é importante, já que alguns hábitos do dia a dia podem favorecer a obesidade sem chamar a atenção dos responsáveis.
Petiscos também fazem parte da alimentação
Petiscos, alimentos oferecidos durante as refeições da família e outros extras podem parecer pequenos isoladamente, mas, quando entram com frequência na rotina, aumentam, entre outras coisas, a ingestão calórica do animal. Por isso, a profissional orienta que é importante considerar não apenas a quantidade de alimento oferecida nas refeições, mas tudo o que o pet consome ao longo do dia.
“Existem diversas formas de demonstrar carinho, entre elas, a comida. Mas atenção, companhia, brincadeiras e momentos de interação são alternativas igualmente importantes para fortalecer o vínculo com o pet. Mas, quando os petiscos fazem parte da rotina, é importante que sejam oferecidos com moderação e façam parte do planejamento alimentar. Até 10% das calorias diárias podem ser oferecidas na forma de petiscos. Por isso, vale fazer escolhas adequadas e conversar com o médico-veterinário sobre as opções disponíveis e as necessidades específicas do pet”, afirma Mayara.
A mesma atenção vale para a quantidade de alimento. As recomendações presentes nas embalagens servem como referência, mas as necessidades energéticas não são iguais para todos os animais e podem mudar conforme a idade, a rotina e o nível de atividade física. Situações como a castração, por exemplo, também podem exigir uma nova avaliação da alimentação.
“As necessidades energéticas podem variar ao longo da vida. Por isso, mudanças na fase de vida e na rotina do animal devem ser observadas pelos responsáveis e compartilhadas com o médico-veterinário, que poderá avaliar se a alimentação precisa ser ajustada”, explica a veterinária.
Light ou alimento para obesidade?
Quando o animal começa a ganhar peso, outra dúvida é qual alimento escolher. As versões light e as dietas formuladas especificamente para obesidade têm propostas diferentes e não devem ser tratadas como equivalentes, segundo a médica-veterinária.
Os alimentos light são desenvolvidos para auxiliar no controle da ingestão energética e podem ser uma opção para animais que precisam controlar o peso ou apresentam tendência ao ganho de peso. Já os alimentos específicos para obesidade ou redução de peso são dietas coadjuvantes destinadas a animais que já apresentam excesso de peso e precisam de uma estratégia nutricional específica.
A escolha depende da condição corporal e das necessidades de cada animal. Por isso, a recomendação é que a mudança de alimento seja feita com orientação do médico-veterinário, que também pode avaliar a quantidade adequada para a rotina do pet.
“Oferecer a quantidade correta de alimento, evitar o excesso de petiscos e estimular a atividade física são atitudes que ajudam a manter o equilíbrio energético. Quanto mais cedo a obesidade for reconhecida, maiores são as chances de sucesso no controle do peso e na manutenção da saúde a longo prazo”, orienta Mayara.
Além da balança, mudanças no formato do corpo, como perda da cintura e aumento do volume abdominal, ou dificuldades para se movimentar podem indicar que é hora de investigar o peso do animal. Avaliações periódicas ajudam a acompanhar a condição corporal e identificar precocemente quando a alimentação ou a rotina precisam ser revistas.
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